Frio intenso prejudica produção de cana-de-açúcar da região



O clima seco do ano passado já previa queda de produtividade para a safra de cana-de-açúcar deste ano em todo o estado de São Paulo. O que o produtor não contava era com três geadas seguidas, iniciadas no mês de junho, e que prejudicariam ainda mais os canaviais. Com as baixas temperaturas, produtores da região adiantaram o processo de colheita para evitar maiores prejuízos com as plantas em produção.

De acordo com o monitoramento de geadas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), da safra 2020-2021, detectou- se a queima das folhas de grande parte dos canaviais do centro-sul do País, acentuando as perdas já causadas pelo estresse hídrico. No boletim divulgado pela Conab, destaca-se também que as unidades de produção sucroalcooleiras estão adiantando as operações de colheita para estimular a rebrota dos canaviais e minimizar as perdas da produção.


Produtores rurais afirmam que a situação dos canaviais da região Noroeste do estado de São Paulo não deixa de ser preocupante com os episódios de geadas dos últimos dias, e a previsão de uma nova geada, que deve chegar a meados do mês de agosto. Alexandre Pinto César disse ter 80% de área plantada com cana atingida pelas severas geadas dos meses de junho, julho e do último dia 29, em Onda Verde. “Na primeira geada, registrada no mês de junho, tive que acelerar o processo de colheita para evitar mais perdas de plantas”.

Alexandre disse que o canavial, que já vinha muito prejudicado com a seca e a falta de chuvas desde 2020, teve as folhas das plantas queimadas com a geada. “Quando as folhas são queimadas pela geada, param de vegetar, desidratando a planta, o que gera a perda de peso e qualidade da cana. Em 38 anos de trabalho com os canaviais nunca havia visto geadas como estas. O Noroeste Paulista foi severamente impactado com a seca do ano passado e agora, com as baixas temperaturas dos últimos dias, não apenas para a cana-de açúcar, mas para diversas culturas”, destaca.


Os cálculos com os prejuízos na queda de produtividade, segundo Alexandre, ainda não podem ser tão exatos - entre 25% e 30% -, mas há prejuízos que são contabilizados para as próximas safras. É que o produtor tinha feito um investimento com a compra de 30 mil novas mudas de cana-de-açúcar, todas perdidas com a geada, e que vão atrasar o plantio no canavial em pelo menos um ano. “Além do prejuízo, são variedades de cana que não são fáceis de adquirir novamente”.

A situação dos canaviais é preocupante para o produtor rural Osmair Guareschi. “São praticamente dois anos de tempo seco e agora, além dessa estiagem prolongada, tivemos três geadas seguidas que afetaram muito a cana-de-açúcar em toda a região do Noroeste Paulista”. Para Osmair, ainda não há exatidão dos cálculos com a queda de produtividade, mas ele estima entre 10% e 25% a quebra de safra, com as baixas temperaturas entre 1°C e 2°C registradas no campo.


O reflexo maior com as perdas significativas, Osmar aponta para a próxima safra. “Afetou bastante o canavial nesta safra e na próxima também. Já percebemos que tem planta que brotou, roçou e já queimou com a geada”, diz Osmair. A produtividade, nos canaviais do produtor, apresentou queda de no mínimo 15% com a falta de chuvas que não chegaram até as plantas, provocando estresse hídrico na cana.

“Assim como a seca diminui a produtividade, a geada também causa a perda de peso da planta, que apodrece no campo e ainda tem o risco de incêndios no canavial”, afirmou Osmair. Em 10 mil hectares de área plantada com cana-de-açúcar, ele estima que deverá adiantar a colheita em pelo menos 45 dias nesta safra, evitando a perda das plantas pelo clima adverso da região.


Parte da colheita do produtor rural Juliano Maset já estava em andamento quando a primeira geada atingiu a propriedade rural localizada em Monte Aprazível. “Os brotos da cana acabaram morrendo com as baixas temperaturas dos últimos dias e, com certeza, com a previsão de novas geadas, o prejuízo será grande”, diz.

A planta que estava maior, segundo Juliano, agora está secando com as baixas temperaturas que atingiu a lavoura. “Fica tão seca a planta que é como se tivesse colocado fogo na cana. Nunca tinha visto isso em tanto tempo que trabalho com o canavial”, afirma, destacando ainda que a produtividade da colheita deve ficar 50% menor em comparação com as safras passadas.


Fonte: Diário da Região